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O VISITANTE > Capítulo - 4

Autor: Antonio Juvenil - Ano: 1995

4 - O Contato

Tudo estava preparado para o início da operação. Emmet K-hii ajustava-se a forma anatômica de seu assento no interior da cabina de comunicação. Seria o primeiro haronniano a fazer contato com uma espécie alienígena, isso o deixava nervoso. Aguardando os últimos minutos, já em contagem regressiva, o jovem comandante concluía os preparativos do capacete comunicador.

 

 

Soou a voz de Ectro-21 orientando sobre as sensações físicas e mental que ocorreriam durante a operação. Em nada seriam diferentes às sentidas rotineiramente em Haronn, durante a comunicação mental com outros haronnianos.

A porta automática da cabina fechou-se. Num painel, em seu interior, a frente de K-hii, um dispositivo de comunicação indicava menos de 9 segundos para o momento do contato.

Um frio percorreu rapidamente as vias sanguíneas de Emmet. Nada anormal. Tinha chegado o momento esperado.

Faltam apenas quatro segundos. — Soou uma voz metálica que não era do computador, mas própria do sistema de comunicação da cabina. E continuou:

 — Três... dois.... um... zero!

 Observando, através da transparência, na porta da cabina de comunicação, não era perceptível a relação intelectiva, realizando-se entre Emmet e o terráqueo, em algum ponto do Planeta Terra.

 Por uma fração de segundos, tudo indicava que terminaria bem, se não fosse pela interferência instantânea dos alarmes de segurança.

 Na cabina, um corpo se contorcia, enquanto suas expressões fisionômicas desfiguravam-se sem limites. Um grito de dor espalhava-se pelos compartimentos do dirigível espacial.

 Foi tudo muito rápido. Estava terminado. A porta automática da cabina de comunicação abria-se lentamente como se nada fugisse ao controle. No seu interior, exausto, o antes entusiasmado jovem comandante, estava curvado aos seus limites físico e mental, mostrava-se parcialmente enfraquecido.

 — O que deu errado? — perguntou com a cabeça pendente, inclinando-se ao encosto do assento.

 — Aparentemente nada. — Respondeu confuso o computador. — Nós é que subestimamos o poder mental do terráqueo. Não atentamos que poderia ter resistência biológica acima da sua.

 — Pode esclarecer melhor. — Pediu Emmet, ainda confuso, querendo compreender — você não se preveniu quanto a isso?

— Os humanos não pensam, somente recebem informações e armazenam. — afirmou Ectro-21 sem restrições. — Isso não era de se imaginar.

— Que absurdo — retrucou Emmet erguendo-se aos poucos do assento, mostrando seu rápido restabelecimento.

— E pior — justificou o computador. — Se não fosse desativado o sistema de comunicação, antes de completar os três segundos, há estas horas você estaria totalmente debilitado. O cérebro, com quem fizemos contato, tinha uma estranha habilidade de absorção.

O computador hesitou por um instante. Dava tempo para K-hii ficar de pé e dirigir-lhe a atenção.

— Na verdade, em vez de você receber informações sobre a mente do terráqueo, — continuou Ectro-21, temeroso, — os sensores confirmam que ele foi quem absorveu o conteúdo intelectivo de sua mente. O processo ocorreu inverso.

De pé, embora um pouco zonzo e cabisbaixo, Emmet atinge a porta da cabina com um soco. Parecia descontrolado deixando visível sua indignação.

— Não me diga que neste momento, alguém do Planeta Terra tem em sua mente dados que permitam saber sobre a existência de Haronn, sua localização e tudo mais que tenho conhecimento?

— Isso mesmo, não posso descartar essa possibilidade. — Confirmou o computador começando a mostrar derrota. — Haja vista, que a comunicação mental não precisa de tradução.

— Você assegurou que nada daria errado. Mesmo funcionando com memória autônoma, mostrou-se bastante limitado no conhecimento de uma espécie tão atrasada. — Disse Emmet com arrogância.

O brilho das pequenas luzes indicadoras da imponência de Ectro-21, tornavam-se tênues. Abatia-se, no cérebro eletrônico, o reconhecimento de seus limites. Na tentativa de esclarecer que não fora sua culpa, em potencial, a falha da operação, insistiu:

— Tudo estava bem definido que daria certo. Mas no exato momento do contato, durante a emissão do sinal hipnótico, foi encontrado um vazio na mente receptora. E como se estivesse esperando, pronto para reagir a qualquer instante, automaticamente fez retomar o sinal hipnótico ao capacete comunicador levando sua mente a ceder de forma estranha. Sem qualquer resistência.

Reconhecendo sua parcela de culpa, Emmet ainda cabisbaixo, fechou-se em total silêncio. Dirigindo-se ao comando, mostrava-se triste, revelando sua angústia.

Na sala de comando, Emmet deixou-se cair pesadamente em sua poltrona. E como se fugisse da realidade, querendo esquecer o ocorrido, permaneceu imóvel, quase em estado de suspensão. Apenas percebia involuntariamente o funcionamento dos instrumentos de navegação a sua volta. Em sua alma assolava-se a sensação de fracasso. Julgava que era a paga por ter ido longe demais.

Algumas horas se passaram e Emmet vencia, aos poucos, seu estado depressivo. Precisaria tomar alguma atitude coerente. Erguendo os olhos, visualizou o Sol que já localizava-se quase fora do foco do vídeo de percepção lateral. Ficando aos poucos para traz. Numa súbita reação, demonstrou querer dizer algo, mas hesitou. Ficou pensativo por alguns instantes depois prosseguiu com sua intenção:

— Computador! — Proferiu virando-se para um dos sensores de comunicação de Ectro-21. — não podemos retomar para Haronn. Não podemos deixar no planeta Terra alguém com as informações que foram retiradas de minha mente.

—Compreendo! — murmurou o cérebro eletrônico querendo agradar. — O que pretende fazer?

— Ainda não sei. Mas o certo é que teremos de corrigir o nosso erro, antes que influencie na vida dos terráqueos e leve-os a descobrirem muito mais sobre Haronn.

— Se isso vier a acontecer, — o computador tomou a palavra — alguém precisará prevenir o Conselho Supremo. E não será ninguém além de nós. Ato que nos denunciaria como infratores da lei de fronteira.

— Você tem alguma idéia? — perguntou o jovem preocupado. — Há como retirar as informações da mente do terráqueo?

— Se através do comunicador mental não é possível influirmos na mente dele, não vejo outra alternativa que não seja trazê-lo para uma operação de neutralização mental no laboratório.

— Mas ir à Terra só aumentaria os riscos de sermos detectados. Poderíamos cometer um erro bem maior.

— Não vejo outra solução. — Ectro-21 concluiu friamente.

Emmet mostrou indecisão. Sabia o quão difícil seria capturar o alienígena. Ainda mais porque a astronave 17.000 era um veículo cargueiro, não dispunha de instrumentos suficientes para uma viagem à Terra com segurança. Mas prevenindo-se quanto a problemas futuros, julgava que antes de entregar-se resignadamente, como infrator da lei de fronteira, primeiro haveria de tentar uma solução menos dolorosa.

— Vamos retomar! — vociferou K-hii — prepare o Disco-módulo Salva-vidas. Ele será menos perceptível do que a 17.000. Farei uso dele quando for o momento.

Sem dizer nada Ectro-21 obedeceu. Numa larga curva de 160 graus trocou o curso da astronave. No máximo em quatro horas estariam em órbita com a Terra.

 

Continua: Capítulo 5 - A Captura

 

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