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O VISITANTE > Capítulo - 5

Autor: Antonio Juvenil - Ano: 1995

5 - A Captura

Ao cruzarem a Zona Proibida, K-hii e Ectro-21 não esperavam uma situação de extrema delicadeza como a que se envolveram. Precisariam, agora, do uso de grande maestria para não intensificarem o problema e saírem dele sem traumas.

Estando pronto, o Disco-módulo Salva-vidas, Ectro-21 se pôs a orientar K-hii. Prevenindo-o sobre os hábitos terrestres, o tipo de ambiente onde possivelmente encontraria o terráqueo alvo da captura, e por fim, alertou para que Emmet esperasse mais cinco horas antes de embarcar em sua missão. Seria melhor chegar ao planeta Terra quando o hemisfério habitado pelo humano com quem fizeram contato, estivesse sob as sombras noturnas.

Sem contestar, o jovem haronniano cumpriu todos os regulamentos propostos pelo computador. No momento da partida, foi projetado da 17.000, um disco luminoso que parecia mais um asteróide arremessado numa velocidade descomunal contra a Terra, do que um pequeno dirigível espacial. De acordo com as referências do telefone, o instrumento do contato entre Emmet e o terráqueo, o Disco se destinava a um ponto estratégico. Deveria perder sua luminosidade quando reduzisse a aceleração para pousar numa clareira matematicamente localizada por Ectro-21. Emmet haveria de caminhar um pouco até chegar no ponto onde encontraria o terráqueo com pseudo conhecimentos haronnianos. K-hii irá buscá-lo pessoalmente depois de certificar-se de ter encontrado a pessoa certa. Para isso, portava um transmissor de identificação em sintonia com Ectro-21 que o monitorava a distância.

Emmet sentiu quando o veículo tocou levemente o solo. Uma porta estreita abriu-se, em seguida, mostrando a relva prateada pela luz do luar. Certo de que estava num lugar seguro, desceu vagarosamente. Nenhum alarme soara até então. Isso lhe inspirou confiança. Como dissera Ectro-21, verificou K-hii, o ar é tão respirável quanto o de Haronn. Inspirou-o profundamente e expirou vivenciando a sensação própria da vida.

Ao distanciar-se alguns metros do pequeno dirigível, ficou apreciando por alguns segundos a sua volta. Não viu nada além de várias espécies vegetais em todas as direções. Foi quando recobrou-se de sua missão.

— Já estou em Terra, — avisou K-hii para Ectro-21 fazendo uso do pequeno comunicador. — Que direção devo tomar?

Quase no mesmo instante, similar a uma bússola, apareceu uma seta na micro-tela do comunicador mostrando a direção onde estaria o terráqueo procurado. Emmet não hesitou. Dispôs-se a caminhar. Primeiro saiu numa estrada deserta. Permaneceu nela por longos minutos até avistar, ao longe, um aglomerado arquitetônico. O terráqueo que estava procurando era habitante de um pequeno vilarejo, como dissera o computador.

— Estou a menos de duzentos metros do ponto indicado — comentou K-hii com voz sussurrante. — Alguma orientação em especial?

Letreiros na tela do comunicador apenas informavam que prosseguisse e agisse segundo o plano. Se algum imprevisto viesse a acontecer, o alarme do comunicador seria acionado.

Aproximando-se da casa que procurava, K-hii ficou alguns segundos a espreitar por uma das janelas. A transparência do vidro, desprovido de cortinas, permitia visualizar o compartimento deserto. Olhando à esquerda, facilmente identificou a porta por sua forma retangular na vertical. Se não fosse pela dimensão um pouco maior, em nada seria diferente das portas das cidades históricas haronnianas.

— Coloquei o condutor volátil na fechadura. — Informou K-hii pelo comunicador, afastando-se da porta. — Envie uma carga com nível MQ-39, o dispositivo volátil não se ajustou muito bem ao controle remoto.

Um estalido surdo, seguido de uma luminescência de grande intensidade, envolvido, finalmente, por uma nuvem de gás, deixou no lugar da fechadura um vazio. Destravada, a porta abriu-se lentamente, empurrada pela brisa. Emmet assegurou-se de que não havia ninguém nas proximidades e entrou cuidadosamente no compartimento que visualizara anteriormente pela janela. Entre os vários utensílios dispostos na pequena sala, alguns grandes, outros pequenos, identificou sem dificuldade o que Ectro-21 classificara como telefone.

Ao entrar no segundo compartimento viu que tinha uma arrumação diferente. Até então não encontrara o terráqueo. Apressou-se logo em entrar num terceiro. Este, com a porta entre aberta e pouco iluminado sugeria um aspecto bem mais esquisito. Olhando para um divã, encoberto por cortinas transparentes, percebeu dois corpos deitados. Um abraçado ao outro. Era o macho e a fêmea. Estavam adormecidos. Por um momento Emmet ficou indeciso. "Um destes dois é o terráqueo que procuro. Mas qual deles?" Apontou o sensor de identificação. Num instante Ectro-21 faria a leitura e enviaria a resposta pelo comunicador. "Não" pensou hesitando. Julgou que se levasse apenas um, quando o outro percebesse que estava a sós, alarmaria a falta, dificultando o retomo para devolução. O melhor que poderia fazer seria levar os dois. Daria no mesmo. Sem contar com as vantagens por dispor de mais elementos para pesquisas.

Tirando um grande bracelete do cinto e colocando-o em torno de sua cabeça, Emmet ficou imóvel por alguns instantes. Fechando seus grandes olhos, deixou seu rosto expressar serenidade. Quando abriu os olhos contemplou o êxito de sua façanha. Os dois corpos se moviam levantando-se, obedecendo a um comando que parecia irradia de sua própria alma. Como sonâmbulos obedeciam fielmente ao seu controlador. E assim caminharam ate chegar ao veículo discóide que os conduziram à grandiosa 17.000.

 

Continua: Capítulo 6 - O Engano

 

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